Esse ano me adentrei no mundo da educação, uma vez que minhas aulas de licenciatura na faculdade também começaram. Sempre tive interesse nessa área, sempre gostei de ensinar, de 'partilhar conhecimentos', mas mais do que isso, sempre acreditei que essa era uma fase essencial na vida das pessoas e sempre fora levada de forma leviana por governos e escolas, ou que acontecia de forma impensada e desgovernada.
As coisas na minha cabeça precisam fazer algum sentido. Talvez seja por isso que fui impelida à licenciatura, apesar de já conhecer a 'realidade dos professores no Brasil', afinal, meu pai é professor da rede pública. Mas esse assunto vem depois. O que estava dizendo é que a maioria das matérias na escola são 'jogadas' para os alunos, sem nenhuma contextualização, ou sem algum indicativo do 'porquê' dele estar aprendendo aquilo. São tantas coisas desconexas na mente de uma criança, que fica muito claro o desinteresse dela pela escola. Claro que existem outros motivos, mais particulares, mas essa é uma história que se repete há sei lá quantos anos sem encontrar uma solução eficiente. Também não acho válida aquela mesma desculpa "os alunos não são mais como antigamente", porque é o que contam nossos pais e avós, e eles vivam na época em que a autoridade era imposta através do medo. Isso não quer dizer que aquelas crianças aprendiam mais ou menos que as de hoje. Apenas quer dizer que o trabalho do professor era menos árduo, porque sinceramente, ser professor hoje requer muita paciência e força de vontade.
Tenho acompanhado algumas salas numa escola pública, de quinta a oitava série, e sinceramente, eu chego a ter dó dos professores. Assisto apenas aulas de artes, mas é uma tristeza, me faz pensar que a teoria é TÃO diferente da prática. Bagunça, desinteresse, desrespeito. Já viu aquele filme "Entre os muros da escola"? A realidade apresentada é tão parecida com a do Brasil, que me causou espanto, isso porque o filme é francês e se passa na França.
Então eu, estudante de licenciatura em artes, cheia de ideais educacionais, sou confrontada com essa realidade, completamente desestimulante e me faz pensar que talvez a teoria esteja fadada a continuar na teoria, pelo menos no âmbito público da educação. Em escolas construtivistas, por outro lado, não se segue a linha "a jato para o vestibular" mas há a preocupação com a formação do indivíduo como cidadão, inserção em projetos culturais, enfim, uma linha bem bacana de educação (aliás, a escola em que estudei tinha essa linha mais construtivista, o que contrasta bastante com esse estágio que estou fazendo, a realidade é bem outra). Mas talvez seja só mais uma ilusão minha, de que tudo poderá mudar. Eu aqui, cheia de planos e idéias sem saber se será possível colocar em prática...
Não acho que este seja meu foco na vida, afinal, tenho coisas que considero mais interessantes fazer do que dar aulas, mas tudo o que aprendi nas aulas de licenciatura também serve como base pra nossa própria compreensão desse mecanismo de aprendizado. É algo elucidativo, que nos faz pensar em COMO estudar ou como construimos o conhecimento.